Blog do Prof. Valter Batista


 
 

8°s anos DIRCE VALÉRIO - 4° Bimestre

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Bom Trabalho!



Categoria: Escolas Municipais
Escrito por Prof. Valter Batista às 23h14
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COLÉGIO ADÉLIA - CONTEÚDOS DAS AVALIAÇÕES DO 2° BIMESTRE

1° PDT – Apostila 01 de Geografia do Brasil.

2° PDT – China

3° PDN, TUR, ADM – Petróleo, Gás Natural e Carvão

1°CD-A - Aulas 15 a 22. (Apostilas 01 e 02)

2°CD-A e 2° CD-B – Urbanização

3° CD – Apostilas Revisanglo 02 (Geral e Brasil) - Recursos Mineroenergéticos no Brasil. Ordem da Guerra Fria e Nova Ordem Mundial.

 



Escrito por Prof. Valter Batista às 13h32
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MONARQUIA X IDH

É mais barato "sustentar" uma família real do que um presidente da República.

Dos Dez Países com MAIOR IDH do Mundo, 7 são Monarquias Constitucionais (em negrito):

1 Noruega 0,938

2 Austrália 0,937

3 Nova Zelândia 0,907

4 Estados Unidos 0,902

5 República da Irlanda 0,895

6 Liechtenstein 0,891

7 Países Baixos 0,890

8 Canadá 0,888

9 Suécia 0,885

10 Alemanha 0,885



Escrito por Prof. Valter Batista às 12h40
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Artigo de Estreia no Jornal Diário do Litoral - publicado dia 21/03/2011



Categoria: Meus Artigos
Escrito por Prof. Valter Batista às 10h10
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De Nova York a Trípoli – De mulheres a esportes, entenda a ideologia de Kadafi

Por Gustavo Chacra

No Twitter @gugachacra

Quando assumiu o poder aos 27 anos, em 1969, Muamar Kadafi ainda idolatrava o arabismo do egípcio Gamal Abdel Nasser, que influenciou toda uma geração de líderes árabes. Mas, no início dos anos 1970, o pensamento arabista perdia força diante das derrotas do Egito e seus aliados em guerras contra Israel.

Sem ser religioso, comunista ou adepto do capitalismo, Kadafi decidiu inovar e criar a sua própria ideologia, que mistura um pouco de islamismo, socialismo e tribalismo. Ele a delineou no pequeno “Livro Verde”, que é uma leitura obrigatória para toda a população líbia e está disponível em inglês e até mesmo português na internet.

Nesta obra, publicada em 1975, o líder líbio criou regras econômicas, políticas e de condutas sociais para uma sociedade idealizada onde ele buscava superar todos os problemas, na sua visão, da democracia, da economia e da sociedade mundial. Fala do papel da mulher a atividades esportivas, passando por métodos educacionais e instrumentos financeiros. Seu objetivo, nestas mais de quatro décadas no poder, foi implementar estes seus ideais na Líbia.

A primeira parte do livro, que pode ser lido facilmente em menos de uma hora, trata de questões políticas. Na avaliação de Kadafi, o Parlamento, partidos e mesmo a classe política não são democráticos. “O Parlamento é uma representação errada do povo. Os sistemas parlamentares são uma falsa solução para o problema da democracia”, escreveu o líder líbio, que tinha 33 anos na época em que colocou no papel seus pensamentos.

Para Kadafi, os partidos políticos são “uma forma contemporânea de ditadura”. Nem mesmo os plebiscitos contam com o apoio dele. São uma fraude contra a democracia. Aqueles que dizem ‘sim’ ou ‘não’, na realidade, não estão expressando as sua vontade livremente porque não podem dizer mais do que ‘sim’ e ‘não’”, escreveu.

A única forma de obter uma democracia real são as conferências populares, segundo Kadafi, já que a democracia direta seria inviável por ser “impossível reunir todas as pessoas em um só local”. Como em um anúncio publicitário, o líder líbio afirma que o “Livro Verde guia a massa para um sistema prático de democracia direta sem precedentes”. Sempre citando a “Terceira Teoria Universal”, Kadafi explica o método que basicamente consistiria em assembléias populares que escolheriam seus representantes em um sistema não muito diferente do parlamentar que ele tanto critica.

Sua teoria econômica condena tanto marxistas como capitalistas e busca uma terceira via, como é comum ao longo do livro. Para começar, ele é contra o pagamento de salário e diz que cada pessoa é proprietária do que produz. “Assalariados são escravos dos patrões que os contratam, independentemente de estes serem indivíduos ou o Estado”, diz.

Kadafi também rejeita que as pessoas possuam mais de uma casa ou que estas pertençam ao Estado. De acordo com o líder líbio, “a habitação é uma necessidade fundamental para o indivíduo e a família e não deve estar nas mãos de outros. Viver na casa de outra pessoa, pagando aluguel ou não, compromete a liberdade”. Já as terras são de todos que trabalham nela.

Os transportes públicos, em teoria, não existem para o homem que manda na Líbia há 41 anos. “Os transportes são uma necessidade tanto do indivíduo quanto da família e não devem pertencer a outros”, diz, sem se aprofundar. Kadafi também afirma no livro que “empregados domésticos, sejam eles assalariados ou não, são os escravos da idade moderna”.

A terceira parte do livro é uma das mais divertidas. Depois de dissertar sobre o que é o Estado, Kadafi fala do papel da mulher. “Segundo ginecologistas, a mulher fica menstruada uma vez por mês mais ou menos, enquanto o homem, sendo um macho, não menstrua ou sofre durante o período”, diz. Por este motivo, a mulher deve cumprir a função de mãe, e não trabalhar como os homens, argumenta o líder líbio, que oficialmente não é chefe de Estado, mas apenas o “líder fraternal e guia da revolução”.

Depois de dizer que “a educação, ou aprendizado, não é necessariamente um currículo padronizado com matérias determinados em livros didáticos que os jovens são obrigados a aprender em horas específicas do dia enquanto se sentam em suas cadeiras”, Kadafi defende que o esporte seja apenas uma atividade individual. “Praticar esportes é como rezar, comer e os sentidos de frio e calor. É improvável que multidões entrem em um restaurante apenas para ver uma pessoa ou um grupo comer”, afirma, acrescentando que o mesmo se aplica a atividades esportivas.

Ele também fala das diferenças raciais. “O atraso dos negros trabalhará a favor deles para obter uma superioridade numérica porque o padrão de vida mais baixo os impede de ter métodos contraceptivos ou planejamento familiar”, disse.

Apesar de ser o próprio autor destas teorias e ter tido 40 anos para implementá-las, Kadafi continua sendo visto como um ditador sem diferenças para os seus vizinhos – isso quando a comparação não é negativa. Seu Congresso do Povo nada mais é do que um Parlamento com o agravante de não ter sido escolhido em eleições. Seus aliados e familiares comandam a economia baseada no petróleo com benefícios próprios. E os líbios são assalariados. Para finalizar, Kadafi construiu estádios em Trípoli para seu filho jogar e dirigir equipes de futebol para uma platéia que, desrespeitando o Livro Verde, comparece apenas para assistir.

Obs. Texto baseado em reportagem minha edição impressa do Estadão de domingo

Leiam os blogs do Ariel Palacios, da Adriana Carranca, da Claudia Trevisan, do Marcos Guterman e o Radar Global, sob o comando do Luiz Ratz. E façam pressão para que a Denise Chrispim, correspondente em Washington, comece o dela

Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes

O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios



Escrito por Prof. Valter Batista às 20h40
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SERÁ QUE A SAÚDE EM GUARUJÁ VAI MELHORAR?



Escrito por Prof. Valter Batista às 20h32
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CONDIÇÃO PROFISSIONAL DOS PROFESSORES - COMO MELHORAR?



Escrito por Prof. Valter Batista às 20h31
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Atividade LIVRE para todos os alunos - Vale um ponto - Entrega em folha manuscrita


Ilha de Calor em Santos

Trata-se de um fenômeno atmosférico que se intensifica em espaços urbanos com alta densidade de construções. A matéria de "A Tribuna" trata deste problema na cidade de Santos, explicando o que poderia ser feito para reduzir os impactos deste fenômeno.

Leia a matéria e identifique os conceitos principais, depois produza um pequeno texto, explicando como este fenômeno pode comprometer a qualidade de vida na cidade de Guarujá. Utilize as informações contidas na matéria e trabalhadas nas aulas sobre "Problemas Ambientais Urbanos".


 




Escrito por Prof. Valter Batista às 19h06
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A nova classe dos batalhadores brasileiros - parte 1

É um erro falar que existe nova classe média, diz sociólogo

 

Autor do livro "Os Batalhadores Brasileiros", o sociólogo Jessé Souza afirma que a ascensão social de 30 milhões de pessoas no governo Lula não produziu uma "nova classe média", mas uma classe social diferente, que ele chama provocativamente de "batalhadores".

Assim como fizera em seu livro anterior, Souza procura determinar as características dessa classe por um recorte diferente do que ele chama de economicista e quantitativo, fugindo tanto de análises pelo consumo e renda quanto de abordagens marxistas "unidimensionais".

Abaixo, trechos da entrevista sobre a classe que, para ele, "parece se constituir, com o resgate social da ralé, na questão social, econômica e política mais importante do Brasil contemporâneo".

Folha - Após lançar o livro "A Ralé Brasileira", o senhor agora publica "Os Batalhadores Brasileiros". Qual a diferença entre a "ralé" e os "batalhadores"?

Jessé Souza - Os dois livros se enquadram no projeto de longo prazo de estudar as classes sociais mais importantes do Brasil contemporâneo de maneira não economicista e quantitativa, como sempre acontece.
Quando falo em estudos economicistas, penso tanto nas descrições estatísticas baseadas em níveis de consumo e renda quanto nas descrições marxistas fundadas numa leitura unidimensional da realidade.
Alguns desses estudos são importantes como ponto de partida descritivo, mas o que nenhum deles oferece é uma leitura sociocultural da realidade que nos possibilite compreender o principal: a produção diferencial de seres humanos a partir do pertencimento a classes sociais distintas.
Ainda que a renda seja um componente importante do pertencimento de classe, pessoas muitos diferentes podem ter renda semelhante.
Para que possamos explicar e compreender uma realidade social complexa é necessário penetrar na dimensão mais recôndita das motivações profundas do comportamento social e nos dramas, sonhos, angústias e sofrimentos humanos que elas implicam.
O ganho em compreensão em relação a uma realidade opaca e complexa é insofismável.
Acredito que, por conta desse tipo de interesse instruído teórica e metodologicamente, foi possível perceber, talvez pela primeira vez, a existência do um terço de brasileiros excluídos como uma única classe, ou seja, pelo estudo dos pressupostos afetivos, morais e emocionais que explicam a origem, a manutenção e o destino social provável às pessoas dessa classe específica.
No caso da "ralé", formada pela ausência dos pressupostos que permitem a incorporação das capacidades exigidas pela sociedade competitiva moderna, é possível perceber a irmandade entre pessoas que moram no interior do Piauí ou na periferia de São Paulo quando a regra é a fragmentação e, portanto, a cegueira da percepção.
É essa cegueira que percebe essa classe de abandonados sociais apenas no registro espetacularizado e manipulador da oposição polícia/bandido, aprofundando todos os preconceitos das classes do privilégio contra esses esquecidos, explorados como mão de obra barata por esses mesmos privilegiados.
O ganho em termos de uma percepção alternativa, totalizadora e crítica da realidade social como um todo não é pequeno.
No caso dos "batalhadores", esse mesmo ponto de partida nos permitiu, na contramão dos estudos dominantes sobre esse assunto, perceber tanto o potencial de chance e de oportunidade que efetivamente existe nessa nova classe que se constitui defronte os nossos olhos quanto articular a dimensão do sofrimento e dor humanos sistematicamente silenciados por uma leitura superficial e triunfalista da realidade.

Em seu livro, o senhor questiona a afirmação de que o governo Lula alçou 30 milhões de brasileiros à classe média e diz até que se trata de uma mentira. Por quê?

Eu não nego que houve uma efetiva ascensão social de 30 milhões de brasileiros nem que esse fato seja extremamente importante e digno de alegria. O que questiono é a leitura dessa classe como uma classe média.
A classe média é uma das classes dominantes em sociedades modernas como a brasileira porque é constituída pelo acesso privilegiado a um recurso escasso de extrema importância: o capital cultural nas suas mais diversas formas.
Seja sob a forma de capital cultural técnico, como na "tropa de choque" do capital (advogados, engenheiros, administradores, economistas etc.), seja pelo capital cultural literário dos professores, jornalistas, publicitários etc., esse tipo de conhecimento é fundamental para a reprodução e legitimação tanto do mercado quanto do Estado.
Consequentemente, tanto a remuneração quanto o prestígio social atrelados a esse tipo de trabalho --e da condução de vida que ele proporciona-- são consideráveis.
A vida dos "batalhadores" é completamente outra. Ela é marcada pela ausência dos privilégios de nascimento que caracterizam as classes médias e altas.
E, quando se fala de "privilégios de nascimento", não se está falando apenas do dinheiro transmitido por herança de sangue nas classes altas. Esses privilégios envolvem também o recurso mais valioso das classes médias, que é o tempo.
Afinal, é necessário muito tempo livre para incorporar qualquer forma de conhecimento técnico, científico ou filosófico-literário valioso.
Os batalhadores, em sua esmagadora maioria, precisam começar a trabalhar cedo e estudam em escolas públicas muitas vezes de baixa qualidade.
Como lhes faltam tanto o capital cultural altamente valorizado das classes médias quanto o capital econômico das classes altas, eles compensam essa falta com extraordinário esforço pessoal, dupla jornada de trabalho e aceitação de todo tipo de superexploração da mão de obra.
Essa é uma condução de vida típica das classes trabalhadoras, daí nossa hipótese de trabalho desenvolvida no livro que nega e critica o conceito de "nova classe média".

Qual o ganho analítico de enxergar os batalhadores como uma classe diferente da classe média tradicional? E quais as implicações que essa diferenciação traz para o governo Dilma?

O ganho é tanto analítico quanto político.
Essa diferenciação permite, em primeiro lugar, perceber a realidade social como ela é, com suas ambiguidades e contradições constitutivas.
Depois, como em toda leitura sóbria da realidade, ela possibilita criticar todo tipo de manipulação política ou de leitura triunfalista da realidade.
Com relação não apenas ao governo Dilma, mas em relação ao futuro do Brasil, essa nova classe de trabalhadores, típica do novo tipo de capitalismo financeiro que logrou se globalizar, parece se constituir --com o resgate social da ralé-- na questão social, econômica e política mais importante do Brasil contemporâneo.
Para mim, existem duas alternativas possíveis: a primeira é essa classe ser cooptada pelo discurso e prática individualista e socialmente irresponsável que caracterizam boa parte das classes dominantes no Brasil; a segunda alternativa é essa classe assumir um papel de protagonista e inspirar, pelo seu exemplo social, a efetiva redenção daquela classe social de humilhados sociais que chamo provocativamente de ralé.
Muitos dos batalhadores que entrevistamos vinham, inclusive, da própria ralé, mostrando que as fronteiras entre as classes são fluidas e que não existem classes condenadas para sempre.
Esse ponto me parece fundamental, já que é precisamente a existência desses abandonados sociais --e não qualquer tipo de patrimonialismo advindo de um suposto "mal de origem" português, como ainda hoje acredita nossa ciência social dominante-- o que nos separa das sociedades mais igualitárias e socialmente mais justas do globo.

Quando o senhor afirma que os batalhadores alcançaram um "lugar ao sol à custa de extraordinário esforço", o senhor não está assumindo a tese do mérito individual, a qual o senhor habitualmente critica?

Quando critico a ideologia do mérito individual, não estou negando a extraordinária importância do esforço individual, nem, muito menos, a necessidade de reconhecimento social efetivo para os desempenhos singulares em qualquer área da vida.
Qualquer noção de justiça social moderna tem que articular responsabilidade social e reconhecimento dos desempenhos singulares e extraordinários.
Há que proteger tanto a ideia de que somos responsáveis uns pelos outros quanto estimular o esforço pessoal.
Quando critico a ideia de mérito individual, é apenas pelo seu uso amesquinhado como ideologia, ou seja, como falsa percepção da realidade.
É muito diferente quando uma classe inteira de privilegiados de nascimento, com boas escolas, estimulados em casa o tempo todo, com tempo livre desde sempre para fazer o que bem entende e dinheiro para investir em cursos de línguas e pós-graduações valorizadas, chama o próprio sucesso de mérito individual e ainda acusa as classes que não tiveram acesso a qualquer desses privilégios sociais de preguiçosos, burros e culpados pelo próprio fracasso.
A tese do mérito individual que crítico é, portanto, herdeira do modo como o liberalismo sempre foi recebido no Brasil: um discurso para legitimar os privilégios de nascimento das classes abastadas, como se esses privilégios decorressem do esforço apenas de indivíduos, e não da herança de sangue e de classe.
No estudo dos batalhadores, o que impressionou foi o extraordinário esforço de superação de condições efetivamente adversas, todas contribuindo antes ao desânimo e ao desespero do que ao enfretamento corajoso das condições negativas ao sucesso social e econômico.
O título do livro foi uma homenagem à luta cotidiana e silenciosa desses brasileiros.
Este termo "batalhadores" sinaliza o fato de que o que perfaz o cotidiano dessas pessoas é a necessidade de "matar um leão por dia" como forma de vida de toda uma classe social que tem que lutar diariamente contra o peso da própria origem.

CONTINUA...

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/poder/874777-e-um-erro-falar-que-existe-nova-classe-media-diz-sociologo.shtml



Escrito por Prof. Valter Batista às 04h45
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A nova classe dos batalhadores brasileiros - parte 2

CONTINUAÇÃO...

Nos casos empíricos de seu livro, há operadores de telemarketing, uma profissão relativamente nova, e feirantes, ocupação bem antiga. Como as duas funções aparecem juntas para caracterizar tipos de uma nova classe social que é tão conforme o modelo atual do capitalismo?

Para responder a esta pergunta, temos que compreender, antes de tudo, ainda que sucintamente, o que significa "modelo atual de capitalismo", de modo a podermos compreender de maneira mais adequada como essa "nova classe trabalhadora" se torna, não só no Brasil, mas em todos os países emergentes, como China e Índia, sua classe suporte, como diria Max Weber, mais típica.
O que hoje é chamado por muitos de "capitalismo financeiro" representa um movimento que começa nos anos 80 no mundo e se propaga nos anos 90 entre nós. O pano de fundo desse movimento eram taxas de lucro decrescentes em nível mundial já havia décadas.
Mas as mudanças não foram apenas nem principalmente de retórica política. Elas comandaram transformações profundas tanto na forma de produção de todo tipo de mercadoria quanto no regime de trabalho.
Ao fim e ao cabo, o conjunto de mudanças apontou no sentido de um aumento da velocidade de circulação do capital, em grande medida determinado pelos cortes com gastos de controle e supervisão de trabalho, que caracterizavam a produção do tipo fordista tradicional, como existe ainda hoje, por exemplo, em algumas indústrias automobilísticas.
Amplos setores da produção de mercadorias de todo tipo são realizados agora por trabalhadores em fábricas a céu aberto ou pequenas unidades familiares que se acreditam, inclusive, empresárias de si próprias, o que explica, também, que o epíteto de "nova classe média" tenha caído tão rápido no gosto de todos, inclusive dos próprios batalhadores.
Na verdade, o capital financeiro que flui sem qualquer controle por todos os pontos do globo pode, agora, se valorizar a taxas de lucros e juros sem precedentes também a partir de atividades realizadas por um exército mundial de trabalhadores --que abundam precisamente nos países populosos ditos emergentes-- sem direitos trabalhistas, sem passado sindical e sem tradição de lutas políticas, que muitas vezes não pagam impostos, que trabalham de dez a 14 horas ao dia e ainda nem sequer precisam de capatazes ou supervisores, porque se acreditam "livres" e patrões de si mesmos.
Essa mudança abrange não apenas as "novas atividades", como as da informática, mas também redefinem e transformam, inclusive, atividades tradicionais, como a dos feirantes.

Quais são os valores dessa classe batalhadora?

Em primeiro lugar, há que ficar bem claro que uma pesquisa sobre valores sociais profundos, como a que realizamos, não pode imaginar que esses valores sejam de fácil acesso e estejam na cabeça das pessoas de modo claro e óbvio.
Ao contrário, como diria Max Weber, a primeira necessidade dos seres humanos não é a de dizer a verdade --muito menos a verdade sobre si mesmos--, mas sim justificar e legitimar a vida que realmente levam.
Por conta disso, uma pesquisa de sociologia crítica é diferente de uma pesquisa meramente quantitativa. Nas pesquisas quantitativas podemos saber, por exemplo, em quem as pessoas vão votar ou que sabonete elas usam, precisamente porque suas autoimagens quase nunca estão em jogo nesse tipo de questão.
Quem se interessa em perceber os estímulos mais profundos da conduta social, ao contrário, tem que realizar um esforço interpretativo e hermenêutico que as pesquisas quantitativas comuns não fazem e perceber os valores na prática cotidiana efetiva da vida das pessoas.
Afinal, valores são aquilo que nos conduzem para um lado e não para outro da vida, mesmo que de modo pré-reflexivo ou inconsciente.
Nós optamos por analisar a vida no trabalho e na família de nossos informantes, de modo a retirar dessas esferas fundamentais os impulsos e estímulos práticos --os tais "valores" na nossa visão-- da conduta de vida.
Neste particular, o horizonte valorativo dos batalhadores pode ser mais bem percebido no confronto com os membros da ralé.
A principal diferença em relação aos excluídos e abandonados sociais é a constituição de uma ética articulada do trabalho duro.
Afinal, não basta querer trabalhar em qualquer área da vida. É necessário também poder trabalhar, ou seja, ter logrado incorporar (literalmente "tornar corpo", de modo pré-reflexivo e automático) os pressupostos emocionais e morais do trabalho produtivo no mercado competitivo.
O capitalismo atual pressupõe crescente incorporação de distintas formas de conhecimento e de capital cultural como porta de entrada em qualquer de seus setores competitivos.
Como esses pressupostos faltam por diversos motivos à ralé, esta é condenada aos trabalhos braçais ou com mínimo de conhecimento, servindo, portanto, de mão de obra barata para qualquer serviço duro, desvalorizado e pesado.
Esse não é o único horizonte dos batalhadores.
Os batalhadores são quase sempre vindos de famílias pobres, mas, no entanto, bem estruturadas, com os papéis de pais e filhos reciprocamente compreendidos, exemplos de perseverança na família e estímulo consequente --baseado em exemplos concretos-- para o estudo e para o trabalho.
Temos nas famílias dessa classe a incorporação e internalização efetiva da tríade disciplina, autocontrole e pensamento prospectivo que sempre está pressuposta tanto em qualquer processo de aprendizado na escola quanto em qualquer trabalho produtivo no mercado competitivo.
Sem disciplina e autocontrole é impossível, por exemplo, concentrar-se na escola --daí que os membros da ralé diziam repetidamente que "fitavam" o quadro negro por horas sem aprender.
Essa "virtude" não é natural, como pensa a classe média que universaliza indevidamente às outras classes suas virtudes e privilégios para depois culpar a vítima do abandono social, como se o abandono e a miséria fossem uma escolha.
Por outro lado, sem pensamento prospectivo --ou seja, a visão de que o futuro é mais importante do que o presente--, não existe sequer a possibilidade de condução racional da vida pela impossibilidade de cálculo e de planejamento e pela prisão no aqui e agora.
No caso dos batalhadores, a incorporação dessa economia emocional e moral mínima é duramente conquistada, às vezes no horizonte do aprendizado familiar, às vezes tardiamente, nas mais diversas formas de socialização religiosa.
Assim, ainda que falte a essa classe o acesso às formas mais valorizadas de capital cultural --monopólio das "verdadeiras" classes médias--, não lhes falta força de vontade, perseverança e confiança no futuro, apesar de todas as dificuldades.
Em um contexto minimamente favorável, como o que vivemos até agora, esse exército de batalhadores se mostra então disponível e atento à menor possibilidade de trabalho rentável e de melhoria das condições de vida por meio, por exemplo, do consumo de bens duráveis que antes lhes eram inatingíveis.

Durante as eleições deste ano, alguns debates ganharam fortes contornos religiosos, como foi o caso da discussão sobre o aborto. A religião é mais importante para os batalhadores do que para a classe média tradicional?

O tema da religião é tão importante para essa classe que até dedicamos toda uma parte do livro a esta temática. Além disso, a socialização religiosa dessa classe perpassa boa parte dos textos construídos a partir das análises empíricas.
É preciso cuidado com esse tema, já que ele pode servir para que se construa uma nuvem de preconceitos contra essa classe.
É, sem dúvida, correto que as religiões evangélicas --como, aliás, todas as religiões em alguma medida-- exigem o sacrifício do intelecto, o que, efetivamente, não ajuda no exercício da tolerância nem no desenvolvimento das capacidades reflexivas dos seres humanos.
Em troca, no entanto, essas religiões oferecem o que a sociedade como um todo, o Estado ou mesmo algumas das famílias menos estruturadas dessa classe jamais deram a eles: confiança em si mesmos, autoestima, esperança e a força de vontade para vencer as enormes adversidades da vida sem privilégios de nascimento.
Nesse sentido preciso, tudo leva a crer que a religião seja efetivamente mais importante para esses setores do que para as classes médias estabelecidas, ainda que nunca tenhamos feito nenhum estudo sistemático. Mas me parece uma hipótese plausível.
E não apenas as religiões evangélicas, que são muito importantes especialmente nos núcleos urbanos. Também a religião católica, no interior do Nordeste, ainda muito forte e atuante, cumpre uma função fundamental de baluarte da solidariedade familiar e como fundamento de uma ética do trabalho em muitos aspectos semelhantes à ética do protestantismo.

Se é verdade que a classe batalhadora não é uma classe média em sentido tradicional, e se aí vai uma crítica, não é possível ao menos imaginar que os filhos dos "batalhadores" terão melhores oportunidades que seus pais? Nesse sentido, a crítica não perderia sua força? Não é possível imaginar que a ascensão à classe média se dará em "duas etapas"?

Sem dúvida que isso é possível. Até porque o Brasil é um país singular no sentido de ser extremamente desigual e, ao mesmo tempo, apresentar forte mobilidade social muitas vezes ascendente.
É preciso, no entanto, também levar em consideração que uma concepção sociocultural das classes sociais implica a percepção de que as mudanças sociais tendem a preservar aspectos importantes da história e da tradição das classes sociais envolvidas nessas mudanças.
Como nos constituímos como seres humanos de modo antes de tudo afetivo e emocional, pela incorporação insensível e pré-reflexiva daquilo e de quem amamos, somos sempre muito mais parecidos com nossos pais --ou de quem quer que tenhamos recebido afeto e amor-- do que as vezes muitos imaginam.
Mas o que é importante é que as mudanças sociais e pessoais são, sim, sempre possíveis. Mais importante ainda é lembrar que as mudanças sociais jamais acontecem apenas pelo jogo das variáveis econômicas.
O aprofundamento dos processos de aprendizado social e político que o Brasil começa a realizar são também fundamentais para a constituição de uma sociedade em que todos tenham efetiva condição de participar da competição social com um mínimo de igualdade de condições, que é o que muitos entre nós desejam.

A nova classe batalhadora faz surgir um novo tipo de preconceito no Brasil?

Sem dúvida. Basta olhar qualquer das revistas que analisam o padrão de consumo dessa classe sob a égide da visão de mundo da classe média estabelecida. Ela aparece sempre como um tanto vulgar e sem o "bom gosto" que caracterizaria os estratos superiores.
Como regra geral, as classes superiores se veem sempre como as "classes do espírito", da personalidade refinada e sensível, e percebem as classes baixas como as "classes do corpo" e, portanto, rudes, primitivas e sem refinamento.

Uma das características dos "batalhadores" parece ser a precariedade da situação econômica e social. De que forma o governo pode melhorar ou piorar a situação dessa classe?

Eu acho fundamental o aprofundamento mais consequente tanto da política social --no sentido de que apenas uma pequena ajuda econômica tópica não irá retirar o um terço de brasileiros da exclusão e do abandono-- quanto de políticas de crédito e de estímulo aos batalhadores.
A "parte de baixo" da população brasileira tem demonstrado sobejamente que consegue transformar qualquer pequena ajuda em progresso social e econômico significativo que interessa e beneficia a todos os setores da sociedade inclusive os superiores.

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/poder/874777-e-um-erro-falar-que-existe-nova-classe-media-diz-sociologo.shtml



Escrito por Prof. Valter Batista às 04h44
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Para TODOS os alunos do COLÉGIO ADÉLIA

EXERCÍCIOS AULA ZERO

Para todos os alunos interessados, valendo uma nota de desempenho para o somatório das avaliações do 1° bimestre. Podem responder às questões até a terceira semana de aulas.

ATENÇÃO: Para resolverem os exercícios, vocês deverão cadastrar-se. Seu email será seu login. Escolha a senha de sua preferência.

POR FAVOR: para que eu possa validar sua participação e ela seja avaliada, valendo nota, IDENTIFIQUE-SE ASSIM:

CAMPO NOME:  SUA_TURMA-SEU_N°

CAMPO SOBRENOME: SEU_NOME+PRIMEIRO_ SOBRENOME.

 

Ex.: Valter Batista, n° 37, aluno do 1°CD

Campo Nome: 1°CD - 37

Campo Sobrenome: Valter Batista

Agora que você já sabe como proceder, preste atenção às questões e mãos à obra!

 

CLIQUE AQUI OU ACESSE:

http://www.sprweb.com.br/lista/?COD=23689650

 

Abração a todos!



Categoria: Colégio Adélia
Escrito por Prof. Valter Batista às 02h02
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TAREFA para ALUNOS dos 3°PDN, 3°TUR, 3°ADM

A HISTÓRIA SE FAZENDO AGORA!

Leiam a matéria abaixo e façam um texto OPINATIVO com APENAS uma página (fonte arial 12, espaçamento 1,5 e margens de 3cm), respondendo ao seguinte:

a) Qual a relação entre o Egito e os EUA e o que isso significa para a geopolítica mundial?

b) A partir de agora quais podem ser as conseqüências para o mundo árabe e sua relação com o ocidente?

c) Por que Israel é um motivador de tanto ódio por parte de grupos árabes radicais e terroristas e o que o Egito de Mubarak tem a ver com isso?

Egito: Ocidente perde seu tirano favorito

El País

Florian Gathmann, Ulrike Putz e Severin Weiland

No final, a recusa dos manifestantes pró-democracia em ceder selou seu destino. As pessoas nas ruas do Egito insistiram na saída de Mubarak. Mas o Ocidente ficou ao lado do líder quase até o final, apesar do déspota ter transformado seu país em um Estado policial e saqueado sua economia.

Eram exatamente 18h no Cairo quando a decisão foi anunciada. Em uma breve declaração, o vice-presidente do Egito, Omar Suleiman, anunciou que o presidente Hosni Mubarak, devido à “situação difícil” no país, estava deixando o cargo. O poder, disse Suleiman, inicialmente seria transferido ao exército egípcio.

A renúncia é um triunfo para a oposição. Semanas de crescentes manifestações aumentaram continuamente a pressão sobre Mubarak. O presidente se dirigiu três vezes à população. Nas três vezes ele disse que não renunciaria.

Mubarak, 82 anos, governou seu país por três décadas inteiras, mas, no final, até mesmo ele percebeu que não poderia resistir aos protestos em massa que sacudiram o Egito nos últimos 18 dias. Os manifestantes simplesmente se recusavam a desistir. E até mesmo aqueles que por muito tempo permaneceram do lado de Mubarak –o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama; os líderes por toda a Europa– começaram a abandoná-lo. Era hora, eles disseram, do líder do Egito permitir um novo começo.

Centenas de milhares de manifestantes vibraram diante do anúncio da noite de sexta-feira na Praça Tahrir, o epicentro do movimento pró-democracia do Egito, no centro do Cairo. Após o discurso de Mubarak na noite de quinta-feira, no qual disse que permaneceria no cargo até setembro, muitos quase perderam a fé de que poderiam conseguir o cumprimento de sua principal exigência. Mubarak, eles diziam desde o início, tinha que partir.

Por 30 anos, os parceiros de Mubarak no Ocidente o apoiaram enquanto ele governava o Egito com mão de ferro. Chamado de “vaca sorridente” antes de sua ascensão ao poder –um apelido que recebeu pelo sorriso que costumava exibir quando permanecia atrás do ex-presidente egípcio Anwar al Sadat– Mubarak se tornou rapidamente um líder poderoso após o assassinato de seu antecessor em outubro de 1981. Ele se transformou em um parceiro confiável do Ocidente –e governou com força o seu próprio país.

Seu retrato estava pendurado em todos os gabinetes e repartições públicas do país; ele era zelosamente elogiado em cada discurso. Os jovens egípcios, mais da metade da população, nunca conheceram outro líder fora Mubarak. De fato, para eles o presidente passou a personificar tudo o que estava errado em seu país: poucas oportunidades econômicas, pouca liberdade e nenhum direito de expressar críticas.

Uma apólice de seguro para o Ocidente

Mas Mubarak era prezado no Ocidente. Ele nunca cedeu na manutenção de seu acordo de paz com Israel e exercia um grande papel no Oriente Médio. Sua influência abrangente no mundo árabe também o tornava indispensável. Presidentes americanos, chefes de Estado franceses, primeiros-ministros britânicos –todos mantinham um relacionamento estreito com o presidente egípcio.

Ele também era um convidado bem-vindo na Alemanha e se encontrou com quase todos os políticos mais importantes de Berlim. De fato, a Alemanha foi até mesmo citada como possível local de exílio para Mubarak, antes de colocar um fim a essa especulação.

Quando o então ministro das Relações Exteriores alemão, Hans-Dietrich Genscher, visitou o Cairo em 1982, Mubarak elogiou o político de modo extravagante, “em nome de Alá, o Misericordioso”, como “meu querido irmão”. Quando, após o encontro, Genscher elogiou a abertura de seu par, o líder egípcio respondeu de modo lisonjeiro que essas coisas eram comuns entre irmãos.

A família Mubarak desfrutava de alta estima na Alemanha. Em 2004, a Universidade de Stuttgart concedeu a “cidadania honorária” da universidade à esposa do presidente, Suzanne Mubarak, por seu compromisso social e sua dedicação aos direitos das crianças e mulheres. Quando o presidente egípcio foi tratado de uma hérnia de disco em um hospital de Munique naquele ano, ele recebeu a visita de vários políticos proeminentes, incluindo o governador da Baviera, Edmund Stoiber, o ministro das Relações Exteriores, Joschka Fischer, e o chanceler Gerhard Schröder. Schröder justificou sua visita dizendo que, como um dos políticos mais experientes na região, Mubarak era “um conselheiro particularmente importante”.

O apreço pela habilidade diplomática de Mubarak permaneceu alto até recentemente. Em março de 2010, ele foi recebido pela chanceler Angela Merkel em Berlim, antes de passar por uma operação de vesícula em Heidelberg. Todavia, o governo alemão continuou a tratar do assunto dos direitos humanos em suas conversações com Mubarak. Por exemplo, o ministro das Relações Exteriores, Guido Westerwelle, disse que tratou do assunto durante sua visita ao Cairo em 2010.

Mas nunca foi além de um diálogo cauteloso, e Berlim nunca fez exigências genuínas de reforma. Em vez disso, Mubarak era visto como um baluarte na luta contra o Islã radical. O governo do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, também considerava o regime linha-dura do Egito útil na luta contra os suspeitos de terrorismo e aqueles que os apoiavam. O exemplo mais espetacular dessa cooperação foi o caso do clérigo Abu Omar, que foi sequestrado pela CIA em um lugar público na Itália antes de supostamente ter sido torturado no Egito. A descrição por Abu Omar de sua detenção no Egito forneceu um vislumbre dos horrores que podem ser encontrados nas masmorras do regime.

Como Mubarak se transformou em um autocrata

No Egito, Mubarak há muito é considerado um tirano. O país estava sob perpétuo estado de emergência. Mubarak manteve seu controle do poder usando leis antiterror e eleições que eram obviamente manipuladas. Ele transformou seu país em um Estado policial. Mais de 1 milhão de informantes, agentes e policiais supostamente mantinham a população de mais de 80 milhões sob vigilância. A oposição era mantida pequena, os órgãos de imprensa que criticavam o governo enfrentavam dificuldades. Os dissidentes políticos iam parar em prisões que eram notórias pela tortura e muitas pessoas simplesmente desapareciam sem deixar vestígio.

As tentativas de assassinato às quais Mubarak sobreviveu ao longo dos anos mostraram o quanto o déspota era odiado. O mais próximo que ele chegou da morte foi em 1995, durante uma visita à capital etíope, Adis Abeba. Mubarak estava a caminho de um encontro de cúpula da Organização da Unidade Africana quando seu comboio foi atacado por radicais islâmicos egípcios. Foi apenas graças à blindagem de seu carro de fabricação alemã que o presidente sobreviveu.

Mubarak resistiu à pressão internacional para que desse maior liberdade ao seu povo. Pressionado por Washington, ele tolerou a presença de outros candidatos na eleição presidencial de 2005. Mas o regime fez pouco esforço para tornar a votação democrática. Devido à óbvia manipulação, o candidato de oposição Aiman Nur só conseguiu obter 7% dos votos. A candidatura de Nur também lhe custou caro pessoalmente. Logo após a eleição, ele foi sentenciado a cinco anos de prisão por acusações enganosas.

Mas foi o declínio econômico do Egito que alimentou a maior fúria. Nos anos 70, a economia do país ainda podia ser comparada a de países como a Coreia do Sul. Mas quando os países asiáticos iniciaram sua ascensão, o Egito não conseguiu acompanhar.

O Egito de Mubarak também fracassou economicamente

O fracasso da economia planejada socialista adotada pelo Egito, assim como muitos outros países árabes, foi um dos motivos, é claro. Mas o sistema de Mubarak também provou ser um terreno fértil para a corrupção e cleptocracia. Uma reportagem do jornal alemão “Die Tageszeitung” lembra de uma piada que os egípcios gostam de contar. O filho de Mubarak, Alaa, é convidado a visitar uma concessionária da Mercedes no Cairo. “Por apenas 2 euros, o senhor pode escolher um sedã de luxo, sua excelência”, diz o vendedor da Mercedes. O filho do presidente então tira uma nota de 10 euros do bolso. Quando o vendedor tenta impedi-lo, ele diz: “Eu vou ficar com cinco carros”.

As reformas realizadas, que visavam consolidar o orçamento nacional, beneficiaram em grande parte as classes média e alta. O sofrimento dos pobres apenas continuou crescendo –e com ele, a raiva. Rumores eram a única informação disponível a respeito do tamanho da fortuna do ditador. Mesmo assim, eram suficientes para alimentar o ódio. A fortuna da família Mubarak supostamente gira em torno de US$ 40 bilhões, riqueza acumulada por meio, por exemplo, de comissões recebidas em contratos de defesa. Os órgãos de imprensa árabes dizem que o dinheiro está seguramente investido no exterior. Mesmo fora do poder, a família Mubarak não passará necessidade. Mas os especialistas duvidam que essas estimativas da riqueza do ditador sejam realistas.

As relações de Mubarak com os outros países no mundo árabe foram problemáticas desde o início. O acordo de paz separado que seu antecessor, Anwar Sadat, fechou com Israel em 1979 prejudicou seriamente a posição do Egito como grande liderança política dentro do mundo árabe. Todavia, Mubarak decidiu manter o tratado contencioso. Isso garantiu a ligação do Egito com o Ocidente, assim como a ajuda externa dos Estados Unidos no valor de US$ 1,5 bilhão por ano, incluindo US$ 1,3 bilhão em ajuda militar. Mubarak teve posteriormente sucesso em restaurar a participação do Egito na Liga Árabe, encerrando assim o isolamento do país dentro da região árabe.

Todavia, muitos nunca perdoaram Mubarak por declarar a paz entre Israel e os árabes como sendo sua missão. Por todo o mundo árabe, alguns continuaram menosprezando Mubarak como sendo “sionista” ou “lacaio do Ocidente” até a sua renúncia. Os muçulmanos devotos também o consideram seu inimigo, devido à repressão à Irmandade Muçulmana no Egito.

Ainda não é possível saber qual será o resultado da transferência de poder. O exército manterá o atual plano de realização de eleições em setembro ou trará a oposição para a transição mais cedo? O futuro papel do vice-presidente Suleiman, nomeado para o cargo há apenas poucos dias, também permanece incerto. Mas essas são perguntas para os próximos dias.

Por ora, os egípcios estão celebrando sua revolução.

Tradução: George El Khouri Andolfato

Fonte: http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/derspiegel/2011/02/12/egito-ocidente-perde-seu-tirano-favorito.jhtm



Escrito por Prof. Valter Batista às 01h11
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TAREFA 2° PDT, 2°CD A e B, 3°CD

Após a leitura da matéria abaixo, elabore um texto dissertativo discutindo:

a) Os problemas que podem surgir com a manutenção de taxas de mortalidade infantil elevadas.

b) As possíveis propostas/soluções para reduzir estas taxas.

c) As causas deste tipo de problema.

d) Numa análise comparada, utilize os dados apresentados nesta matéria e relacione com o assunto JÁ estudado em sala de aula (o impacto destes números no IDH, por exemplo)

ORIENTAÇÕES: O texto deverá ser entregue com o máximo de 400 palavras. Após isso, elabore uma frase que resuma suas ideias em 140 toques (TWITTER) e envie na forma de comentário a este post.



Escrito por Prof. Valter Batista às 21h24
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TAREFA 1° CD A e B - Entrega até 22/02/2011



Categoria: Colégio Adélia
Escrito por Prof. Valter Batista às 21h05
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Começa 2011!

Que seja um ano repleto de bons momentos e muita aprendizagem.

A todos os leitores deste blog, muita paz e amor no coração!

Vamos ao trabalho!!



Escrito por Prof. Valter Batista às 15h30
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